“Warhol foi uma das pessoas mais chatas que já conheci, pois era do tipo que não tinha nada a dizer. Sua obra também não me toca. Ele até produziu coisas relevantes no começo dos anos 60. Mas, no geral, não tenho dúvidas de que é a reputação mais ridiculamente superestimada do século XX.” - Robert Hughes, crítico de arte, antigo cronista da revista Time, entrevista com a revista Veja, 25 de Abril de 2007.
Apesar da razão nos comentários de Robert Hughes, eu tenho que descordar. Para quem não conhece, Andy Warhol foi um pintor e cineastanorte-americano, bem como uma figura maior do movimento de pop art. Quando ganhou notoriedade no mundo das artes plásticas, em 1960, Warhol se utilizava de técnicas poucos usuais. Baseado em conceitos publicitários, abusava das cores forte e brilhantes ao aplicar tinta acrílica em reproduções, por serigrafia, de fotos de pessoas icônicas na época. Além da serigrafia Andy também abusava de colagem de fotos e materiais descartáveis (poucos usuais na época). Nasce então a famosa pop art.
De acordo com a Wikipedia, pop art é um “movimento que usava figuras e ícones populares como tema de suas pinturas(…)Com o objetivo da crítica irônica do bombardeamento da sociedade capitalista pelos objetos de consumo da época, ela operava com signos estéticos de cores inusitadas massificados da publicidade e do consumo, usando como materiais principais,gesso, tinta acrílica, poliéster, látex, produtos com cores intensas,fluorescentes, brilhantes e vibrantes, reproduzindo objetos do cotidiano em tamanho consideravelmente grande,como de uma escala de cinquenta para um, transformando o real em hiper-real.”

Talvez o que irrite Robert seja a facilidade em que este tipo de representação gráfica é reproduzida. Além disso, ao dizer que ”pois era do tipo que não tinha nada a dizer” ele talvez não tenha entendido o que Andy quis dizer. Existe uma certa confusão, e isto começou na era industrial, sobre o que é arte e o que não é: alguns dizem que arte é toda manifestação do sentimento humano (em suas diversas faculdades) que não possa ser reporduzido, que seja único ( e aí condenam a tal “arte abstrata” e a pop art). Acredito que seja neste ponto que Hughes ataca e critíca, ele simplesmente não entende que estava sendo feito era uma auto crítica utilizando como base a maior arqui-inimiga da arte: a produção em massa. O uso de uma reprodução facilitada para representar, em uma escala de cores básicas, ícones e ídolos da sociedade que dia após dia são recriados/reciclados para, sei lá, fomentar o sentimento de coragem, esperança ou qualquer coisa que nos mantenha vivo e acredite num mundo que nunca virá a existir. Além disto, ao meu ver, existe uma representação literal do cotidiano: a mesmo rotina, mas com algumas diferenças; o mesmo dia, um depois do outro com suas pequenas diferença sutis. Diria ainda que toda a raiva do nosso querido Roberto possa ser pelo fato da fácil, rápida e simples difusão dos conceitos de Andy (que aliás cursou design) e que hoje está nos bombardeando nas peças publicitarias, no murais pela cidade, nas estampas de camisetas, nos bottoms e etc. diariamente. E, acredito, que aí começamos a ter algo que incrementa a nossa vida capitalista e hoje tem sustentando grandes empresas: o brand marketing. Mas isso, bom, é outra história.
Andy Warhol faleceu em 1987 no pós operatório de uma cirurgia na vesícula biliar.
”In the future everyone will be famous for fifteen minutes (No futuro, todos terão seus 15 minutos de fama)” - Andy Warhol